domingo, 14 de outubro de 2018

CERu.: 40 ANOS! EU FIZ (E FAÇO) PARTE DESTA HISTÓRIA.

NO DIA DOS PROFESSORES, UMA CRÔNICA DEDICADA À INSTITUIÇÃO QUE NÃO FORMOU APENAS EDUCADORES, MAS COLOCOU NO MUNDO CIDADÃOS E CIDADÃES DE BEM, PROFISSIONAIS COMPETENTES E COMPROMETIDOS COM O BEM-ESTAR DA CIDADE, DO ESTADO E DA NAÇÃO.

Meados de novembro de 1977. Aos oito anos de idade lembro-me perfeitamente daquele dia. Fomos levados à quarta série do Juvenato Padre Guedes. Era a única sala diferenciada da escola: o quadro era verde. Nas outras tínhamos uma lousa de madeira na cor preta. Naquela época existia o time dos meninos e o time das meninas. Lembro-me de poucas colegas do primário. Mas os amigos estavam lá comigo: Robecil, Paulo Sérgio, Célio, Raminho, Manoelzinho, Zé Bento, Gilberto e outros que não me recordo agora. Das meninas me recordo apenas de Julinha, Ana, Maria José e Luzinete. Alguém entrou na sala e falou: "Quem quer ir estudar no colégio novo?" O colégio novo era o CERu. Dr. Joaquim Correia. 


Sempre fui goleiro nas peladas e nos jogos oficiais do time da rua. Primeiro o Brasileirin, o terror da cidade. O time que desbancou o Sport de Rogério de Seu Bibiu. Depois o Flamengo. Acho que por isso me lembro com nitidez dos arqueiros da época: Biu Santos, Arnaldo e Zé Lira. Mas o que esses personagens têm a ver com a história? Recordo-me de ir com meu pai em alguns jogos no campo de barro vermelho. Onde era o campo? Exatamente onde hoje está a Escola Dr. Joaquim Correia! Na subida da hoje Avenida Estefânia Carneiro, cana de um lado, cana do outro; e lá em cima a casa de Seu Lulu. A PE 74 não existia. Pista mesmo, só na BR, de Nazaré a Esperança.

De repente chega a Construtora Leão. Firma contratada pelo governo do estado para fazer o asfalto de Esperança até a Usina Laranjeiras e construir o CERu.. A empresa se fixou na parte de cima da barreira, onde pouco tempo depois foi construída uma das casas mais bonitas da cidade na época. Se não me falha a memória era de um promotor de justiça de nome Alberto Moura. Quantas vezes a bola atravessou o muro e o cachorro rasgou!


1978. Sob o governo de Moura Cavalcante era inaugurado o Centro de Educação Rural Doutor Joaquim Correia. Um diretor e um vice com os mesmos nomes: Luiz Carlos. O Luiz Carlos vice, não passou muito tempo, foi substituído por Seu Manoel Pereira de Arruda, Seu Nezito, que trouxe consigo, seus famosos gritos de "Zezinho". Já o outro Luiz Carlos, o Vieira de Vasconcelos, ainda hoje está conosco. Calmo, sereno e tranquilo. Conseguia calar um batalhão de alunos sem dar um pio. Às vezes, no mais profundo silêncio, passeava por entre as filas (formadas impreterivelmente no pátio) e em seguida com um menear de cabeça, encaminhava os estudantes para as salas de aula. Para auxiliar a diretoria, uma supervisora linha dura, Dona Zezé.

Fui estudar na quarta série. Minha professora foi Dona Lila, Maria de Fátima Albertins Belém Pereira, irmã da professora da terceira série no Juvenato, Dona Lia. Nunca chamamos professora de Tia! 

Eu queria chegar logo à quinta série para receber uma cadernetinha de presença na cor azul. Porém para a minha tristeza, ao passar de ano, a tal caderneta foi extinta. A transição não foi traumática. Naquele tempo não apenas respeitávamos, tínhamos medo dos professores (principalmente das professoras). Mas a minha entrada no ginásio foi inesquecível. Prova é que estou aqui, contando. Tanto que nomearei cada um dos mestres e mestras que me ensinaram e as respectivas disciplinas: Matemática, Dona Maria do Carmo; Português, Dona Rivaldira; Ciências, Tiago; História, Cilene; Geografia, Dona Telma; Educação Artística, Dona Gorete; Inglês, Dona Dalva; Educação
Física, Aílton; Religião, Cilene; Técnicas Comerciais, Gonzaga; OSPB, Oséias. Acho que só. Com o passar do tempo outros profissionais foram chegando. Tive a honra de estudar uma matéria chamada I.P. (Informação Profissional) com Reginaldo Potência, o qual foi responsável diretamente pela minha não desistência na sétima série. Estava prestes a fazer a terceira sétima, praticamente reprovado em Matemática, precisando tirar 10,0 na quarta unidade e 8,5 na recuperação. Ele protagonizou uma força tarefa para eu ser aprovado. Convocou minha mãe, direção da escola, Exército, Marinha, Aeronáutica e um colega inteligente na época (eu eu era burro?!): David Almeida de Oliveira. O super-hiper-mega CDF da escola. Fui à luta. Estudei. Enfiei a cara no livro e nos cálculos. Vou partir desse mundo cruel e não esqueço os dois assuntos daquela fatídica recuperação: Produtos Notáveis e Equação do Segundo Grau. Objetivo alcançado. Dez de média na quarta unidade e mais dez na recuperação.

Viramos agricultores no CERu. Nas aulas de Técnicas Agrícolas plantávamos verduras nos canteiros atrás do galinheiro (eu acho que nunca criaram galinha ali). Coentro, cebolinha, cenoura... Muitas vezes vendíamos esses produtos para comprar instrumentos agrícolas. Dona Mabel Nunes era a responsável pela matéria. 

O primeiro ano era chamado de Básico. Fiz o Básico A. Em seguida, as meninas se dividiam entre os cursos de Contabilidade e Magistério e todos os meninos iam para Contabilidade. Estudei o segundo ano em 1986 e o terceiro em 1987. Fui o orador da turma no dia da formatura. E em 1992 voltei ao CERu. como professor, de onde só saí em 2013.


Isto foi apenas o começo e o fim da minha história na quarentona Escola Dr. Joaquim Correia. Até parece que foi ontem. Dona Lúcia Jerônimo nos deixando de castigo no corredor até uma da tarde por tirar nota baixa em Matemática; Normando escalando o time de futsal para representar a escola nos jogos da DERE (hoje GRE). Fui como goleiro reserva em um dos anos. Dona Fátima Mota com suas inspiradoras aulas de Inglês. Dona Iranete e suas aulas de Redação e Produção de Texto. Cilene Melo e o famoso método das partidas dobradas, "tudo que entra é crédito, tudo que sai e débito e vice-versa". Justino, com sua calma até os dias de hoje. E de repente me vejo estudando com quem eu vendia torreiro nas ruas da cidade, o agora professor Joaquim de Melo Lira, o qual sempre chamei de Quinca. Com ele estudamos computação sem nem existir computador por aqui ainda. Uma matéria chamada Mecanografia. A única coisa que ficou foram os códigos binários: 0 e 1.

Obviamente que essas são apenas poucas lembranças de tanto tempo passado na escola. Foram dez anos como aluno e mais de dez como professor. Mais que uma vida. A melhor época. A era de ouro das músicas. Roberto Carlos, Michael Jackson, Marcos Sabino, Biafra, Rodrigo, Zizi Possi e tantos outros.

Parabenizar é pouco pra você CERu. Você já é referência há muito tempo. Desde a primeira pedra colocada no alicerce. Referência na vida de todos nós, que tivemos a honra de pertencer a esta casa de ensino. Com você crescemos e aparecemos. Firmamos bases sólidas e alçamos outros voos. 
Garantimos o futuro. 
O nosso futuro.

"Ó Vicência nós somos teus filhos
Estudando pra sempre saber.
Formação pelas letras em brios
É a senda feliz do dever."

Samuel Cazumbá

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