quinta-feira, 19 de julho de 2018

CRISTÃOS CATÓLICOS E EVANGÉLICOS: O QUE OS UNEM DEVERIA SER MAIOR DO QUE O QUE OS SEPARAM.


"BRIGAS" JÁ FORAM BEM MAIOR NO PASSADO.
Eu e Raminho estudamos juntos da segunda série, no Juvenato Padre Guedes, até o terceiro ano, no curso de Contabilidade, no CERu. Dr. Joaquim Correia. Severino Ramos Correia de Figueiredo, filho de Seu Zé Maria e dona Zezé da Rua da Areia, era meu amigo dos peitos: direito e esquerdo. Aquele das confidências do tempo da adolescência. Estudamos juntos e fomos reprovados juntos. Éramos unha e carne. Entretanto tínhamos uma coisa em incomum: eu fazia parte da Igreja Batista e Raminho era quase um vigário (tanto é que passou um tempo em um colégio de formação sacerdotal em Surubim). Porém nossas opções religiosas nunca atrapalharam nossa amizade que perdura até hoje. A professora Cilene Melo, que também ensinava Religião no século passado, chegou a dizer certa vez que se todo católico e todo "crente" fosse como nós dois, o mundo seria outro.


Cito este episódio pessoal apenas para ilustrar que as pessoas poderiam se aproximar através da religião ou denominação religiosa que escolhem. Ninguém nasce evangélico ou católico. A medida que crescemos vamos tomando nossas decisões e uma delas é escolher uma fé, a qual sirva de sustentáculo para nossa vida material e espiritual. O problema é que não aceitamos nem respeitamos a fé dos outros. E até parece que os Cristãos são os que mais brigam entre si. Sempre digo que, segmento por segmento, teríamos que juntar evangélicos, católicos e espíritas no Cristianismo. Todos acreditam em Deus e em Jesus Cristo.

Não precisamos ir muito longe para conhecermos as atrocidades que foram vivenciadas em nome da fé. Aqui mesmo na Mata Norte, a Igreja Batista em Nazaré da Mata, foi alvo de muita perseguição da Diocese no início do trabalho evangélico na região. Os "crentes" eram chamados de bodes e bíblias "protestantes", tidas como falsas, foram queimadas em praça pública. Por outro lado, alguns líderes evangélicos chegaram a maltratar e pisotear a imagem de uma Santa católica. Além da zombaria de ambos os lados.

Com o passar do tempo, os ânimos foram esfriando. Vibro toda vez que vejo um católico conduzindo um bíblia. A cena servia de chacota no passado. Hoje, existe a Pastoral do Dízimo na Igreja Católica. Antes alguns afirmavam que o dinheiro do dízimo seria para comprar "gravata de pastor". A Igreja Assembleia de Deus, que antes demonizava a televisão, hoje tem seu próprio canal. Os tempos mudaram.

As principais coisas que afastam católicos e evangélicos são a adoração (veneração) à Virgem Maria e às imagens. Certamente os contextos acima não irão mudar. Mas será que é apenas isso? Por que existem pastores que nem aceitam a palavra ecumenismo? Por que, e raras são as vezes, que os grupos só se juntam diante de uma tragédia? Por que não celebrar a vida, a alegria, a paz e o amor? Por que não aceitar o outro do jeito que ele é? Resumindo: POR QUE NÃO COLOCAR A TEORIA EM PRÁTICA E VIVER O QUE SE PREGA?

O apóstolo Tiago, irmão de Jesus, menciona o que seria a verdadeira religião: "A religião pura e imaculada para com Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo." (Tiago 1:27) Subliminarmente temos relacionados neste contexto o amor e a honestidade. Ao que parece muitos cristãos  não estão demonstrando amor para com o seu próximo. A não ser que este próximo faça parte do mesmo credo. O próprio Cristo resumiu os Dez Mandamentos em apenas dois: amar a Deus a ao próximo (Marcos 12: 30, 31).

Não aceitar a fé do outro é lícito; desrespeitar, zombar, maltratar, não convém. Hoje já existem leis que protegem seguidores de qualquer credo religioso e o Brasil há muito tempo deixou de ser um país com uma religião oficial. Na nossa pátria convivem pacificamente Cristãos, Judeus, Budistas, Islamistas, Ateus e integrantes de tantas outras religiões, algo impossível de acontecer em determinados países orientais.

Devemos nos lembrar que somos cristãos e o amor deve superar tudo. O cantor Ozéias de Paula cita em uma das suas canções: "o amor supera o ódio, através do seu poder...". Às vezes não odiamos, aquele ódio rancoroso, mas temos uma raivinha, uma rixazinha, um leve entortar de lábios que pode acabar com o nosso irmão. "É preciso saber viver". Se queremos conquistar uma pessoa teremos que ir até ela com amor e não com arrogância e prepotência.

O fato é que devem existir mais pontos comuns do que incomuns entre os cristãos. Se todos desejam ir para o céu, muitos devem mudar o comportamento aqui na Terra e saber que acima da nossa cabeça não mandamos em nada. Por isso que o bom orador nunca deve erguer o braço acima da nuca quando está discursando. 

Alguns cristãos precisam ser menos hipócritas e mais verdadeiros. Tem gente que se emociona, chora, fica nervoso e até doente com um fato divulgado na Internet ou no Jornal Nacional sobre uma família ou alguém necessitado mas não consegue enxergar o seu vizinho que está passando fome ou simplesmente precisando de uma palavra de conforto.

Que o mundo siga o exemplo de Samuel Cazumbá e Raminho: pensamentos opostos em muitas coisas, mas amizade e respeito acima de tudo.

Samuel Cazumbá


0 comentários:

Postar um comentário

LEIA AGORA NO VICENCIANET.
Todo mundo gosta. Todo o mundo acessa.