segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

OPORTUNIDADE: CHANCE DE COMEÇAR. (Simultâneo com o Facebook)

ÀS VEZES BASTA UMA SIMPLES OPORTUNIDADE PARA CONHECERMOS OS TALENTOS DE ALGUMAS PESSOAS.

Foto: Samuel Cazumbá

Tenho uma lembrança não muito agradável do Cabo Herculano, pai do músico Olavio Batera. Como autêntico torcedor do Sport Club do Recife o mesmo saía pelas ruas da cidade portando um rádio-gravador no ombro, tocando o hino do rubro-negro da Ilha do Retiro ou repetindo exaustivamente os gols da equipe gravados em fita cassete. Os torcedores do Santa Cruz e do Náutico que aguentassem. Brincadeiras futebolísticas à parte, Herculano é o pai de Olavio Herculano da Silva, Olavio Batera, que desde jovem, seguindo o exemplo do genitor, defende e participa ativamente da cultura local.

É necessário abrir-se um pequeno parênteses para informar que o Cabo Herculano foi um dos precursores do São João de rua no município de Vicência. Foi ele quem idealizou a primeira palhoça na "Quadra Velha", que por vários anos se tornou o point junino da cidade, com apresentações de quadrilhas e bandas de sucesso na época.

Filho de peixe... está aí Olavio Batera, que desde criança já saía pelas ruas da cidade desfilando de caboclo de lança. Bastou apenas uma oportunidade para que ele mostrasse alguns dos seus talentos no próprio município. Com determinação, coragem e muita ousadia, Batera está mostrando que santo de casa pode fazer milagre, sim. As dificuldades da vida fê-lo buscar outros horizontes. A saída de Vicência oportunizou o ingresso em uma das Bandas de Forró mais famosas dos anos 90: Calango Acesso. Depois de viajar por inúmeros estados, Olavio volta à sua terra natal disposto a iniciar um novo projeto.

Mesmo tendo oportunidade de tocar em Bandas locais, como a Banda Voo Livre e a Orquestra XV de Novembro, ele queria mais. Talvez tivesse um sonho e queria colocá-lo em prática. Quem sabe até mesmo contra a vontade, alguém deu a primeira oportunidade ainda no governo do prefeito Paulo Tadeu, e o percursionista começou a fazer história. "Inventou" a Festa dos Músicos no dia da padroeira da categoria, Santa Cecília. Vamos ser sinceros: poucas pessoas acreditavam que o evento daria certo. Dia de semana, não sei o que... e não é que deu! A festa hoje faz parte do calendário da cidade e dá oportunidade para os artistas locais mostrarem seus talentos, reunindo desde cantador de viola a músicos profissionais.

Defensor da cultura local, Olavio é integrante do Maracatu Leão da Floresta, no qual tem a oportunidade de brincar de caboclo de lança durante o Carnaval e em outras ocasiões. O mais novo empreendimento dele é a UNITV Web, em parceria com o empresário Ninho Travassos. Duas vezes por semana ele apresenta um programa ao vivo com diversos artistas locais e regionais e tem atraído muitos likes e compartilhamentos.

Muitas vezes precisamos que alguém acredite que somos capazes de contribuir com algo para nosso município e só queremos uma única chance para mostrarmos nosso talento. Podemos desenvolver nossos dons aqui mesmo, dentro da nossa cidade, junto do nosso povo, tropeçando, caindo, levantando, mas acima de tudo mostrando capacidade de iniciar um projeto e dar conta dele. O Deus de São Paulo, Rio de Janeiro, Nova Iorque é o mesmo de Vicência, Trigueiros ou Murupé. As oportunidades que teríamos em outros locais podem ser dadas aqui mesmo, pois só assim ficaria mais fácil retribuir essa mesma oportunidade para outros.

O exemplo da persistência do amigo Olavio Batera serve de exemplo para tantos quantos queiram dar a sua contribuição à sua região. Mostrar que podemos ser feliz por aqui mesmo. Fazer outras pessoas felizes também. Pegar um limão e fazer uma super-hiper-mega limonada. Contribuir para o desenvolvimento econômico e cultural da nossa cidade.

#Fica a dica...

Samuel Cazumbá

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A FALTA D'ÁGUA, O PARQUE E O TRÂNSITO EM VICÊNCIA: O QUE ELES TÊM EM COMUM.

O QUE NÃO ERA VIROU PROBLEMA COM O PASSAR DOS TEMPOS.

Foto: Samuel Cazumbá

Foram-se os tempos nos quais a Rua da Areia, a Rua da Lama e a Rua da Olaria não tinham calçamento. A casa de Seu Lulu não reina mais soberana na Rua Nova. A Estação do Monte e o sítio de Seu Ozório estão repletos de moradias. Até a Chã dos Mandados virou um bairro da cidade! O número de veículos beira o absurdo. Quase todo mundo tem um carro. Outrora batíamos bola no meio da rua e vez por outra éramos interrompidos por um caminhão de cana, um Fusca ou uma Variante. Hoje em dia há mais automóveis do que pedestres, dependendo do momento e das festividades.

Por falar em festividades... O PARQUE CHEGOU! E o Patinho não vem. Sabe por quê? Por que ele vai cag... a rua todinha. Para quem não gosta de brinquedos que girem tem a barcaça. E as crianças pequenas podem ir na cadeirinha. Às vezes faltava água. Mas chegava logo. A energia farrapava mais! Até a construção da subestação todo mundo sempre usava o candeeiro ou lampião. Seu Márcio, Seu Zé Calixto, Seu Joaquim e Lula não eram tão incomodados, xingados, esculhambados, maltratados, humilhados ou quase assassinados.

Vicência não é mais aquela. Cresceu para os lados, para cima e também para baixo (Há cabos de fibra ótica nos subterrâneos da cidade!). Com o crescimento e desenvolvimento vêm também os problemas. Ruas, loteamentos, vilas e diversas comunidades foram surgindo. Turiassu não se resume só à casa de Seu Zé Verdureiro. O Alto da Foice tem não sei quantos mil moradores. Murupé está quase chegando a Poço Comprido; Sítio Novo emendou com Borracha; O Alto do Barreiro em Angélicas virou loteamento e até Trigueiros cresceu para os lados.Enfim, muita gente e pouca água.

Por mais que se diga que Vicência tem água à vontade, isso é só uma meia verdade. Pode até ter, porém deve estar no subterrâneo ou nas propriedades particulares. Tem muita água mas também tem muita gente. A crise hídrica é mundial. Só 3% da água do globo é potável. Quando surgiu a notícia que iria ser construída uma barragem no Rio Sirigi, a grita foi geral. A população entrou em polvorosa e começou o cospe-cospe (eca!). Depois do empreendimento pronto, todos querem usufruir das águas "poluídas" do Siriji. Se for o caso deflagra-se até uma guerra contra Surubim, João Alfredo e adjacências para não dividir o líquido precioso.

A questão do abastecimento de água passa também pela consciência das pessoas. Como diz o outro "um ponto vista é a vista de um ponto". Aparar a água do banho para colocar na privada pode ter duas vertentes. Uns acham que é água cheirosa, de sabonete e coisa e tal, já outros jamais usariam por se tratar de água de rabo.

Os dois outros assuntos estão interligados. O trânsito tem tudo a ver com o parque. Aliás, Vicência e Nazaré da Mata têm uma coisa em comum: um parque de eventos que não serve pra nada. Todo ano é mesma ladainha: o parque não pode ficar mais no centro da cidade. Faz 300 anos que se prega isto e não apareceu um corajoso, ou corajosa, que tome as providências. Todo mundo reclama. Pedestres, condutores de veículos, comerciantes, ciclistas, cavaleiros, gatos, cachorros e etc.. Os brinquedos não são mais os mesmos. A Roda não vem mas o bate-bate ocupa um espaço da mulesta dos cachorro. O tunder também leva uns 20 metros de rua e por aí vai. Carros, motos, bicicletas, carros de mão, transeuntes, cachorros, abacaxis, inhames, tomates e outras coisas circulam (ou tentam circular) no percurso entre o início da Rua Oliveira Estelita e o final da Vigário Rego (Praça da Bíblia e pátio da Matriz).

Verdade seja dita: será que se fizer uma pesquisa, enquete, seja lá o que for a população será a favor da mudança do parque para o inativo Parque de Eventos? Acredito que a resistência será grande. Quer queira quer não a cidade fica mais movimentada. O mínimo que poderia ser feito era desobstruir as calçadas. Embora o período seja curto,vale a pena passar pelos transtornos? Como disse o padre Josevaldo uma vez, "costume de dá e se tira". 

A cidade não se resume mais ao rancho de Dona Vicência e a capela de Sant'Anna. Já que estamos vivendo Tempos Modernos, no mínimo deveria haver uma pesquisa com comerciantes e população sobre a retirada ou não do parque do centro da cidade no mês de dezembro.

Se os tempos mudaram e estamos em plena modernidade, paradoxalmente estamos mantendo alguns costumes de 60 anos atrás...

Samuel Cazumbá