sexta-feira, 14 de julho de 2017

OS CRISTÃOS, A FÉ E A HIPOCRISIA. (Publicação simultânea com Facebook)

TRAGÉDIA EM CENTRO ESPIRITA DEIXA CLARA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO BRASIL.

Imagem da Internet

"Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o juízo com que julgardes, e com a medida com que tiverdes medido, hão de vos medir. (...) Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o cisco do olho do teu irmão." (Bíblia de Referência Thompson)

O texto escrito em Mateus, capítulo 7, versículos 1, 2 e 5 faz-nos refletir que existe uma grande hiato entre teoria e prática. O triste episódio ocorrido em Jaboatão do Guararapes, região metropolitana do Recife, no qual quatro pessoas foram mortas, incluindo dois assaltantes, serve para uma breve reflexão não somente sobre insegurança, mas também sobre fé e hipocrisia. Costumo dizer que os cristãos são os que mais "brigam" entre si por conta das suas doutrinas, dogmas, diferenças, semelhanças, divisões, etc. Incluem-se nesse contexto Católicos, Evangélicos, Ortodoxos, Espíritas, Anglicanos, Testemunhas de Jeová e outras denominações menos conhecidas, mas que também acreditam e professam a fé em Jesus Cristo. A "guerra" maior ( e já foi bem maior) é entre Católicos e Evangélicos. Apesar de que, de maneira até um tanto debochada os Católicos se consideram Evangélicos e os Evangélicos se consideram Católicos. Os primeiros dizem que também seguem o evangelho de Cristo e os segundos aproveitam para dizer que a palavra Católico também significa Universal, daí a expressão Católico Apostólico de Cristo, e não, romano.

Deixando de lado essas picuinhas entre irmãos de fé, creio que o fato ocorrido durante uma palestra espírita deve ter servido de base para muitos extremistas religiosos usarem da palavra para menosprezar a fé alheia. Por que uns podem professar sua fé e outros não? Qual o fundamento para se basear de que determinada fé está certa e outra está errada? Por que algumas denominações que também se denominam cristãs são excluídas? A tragédia ocorrida no Centro Espírita poderia ter acontecido em qualquer local, inclusive em um templo qualquer. Haja vista os ataques terroristas que acontecem frequentemente em mesquitas muçulmanas, templos judeus e até cristãos em países do Oriente Médio.

Trata-se de uma questão absolutamente pessoal a mudança ou não de segmento religioso. Todos são livres para escolherem o seu time de futebol, os companheiros e companheiras, o emprego que querem ter e a religião que querem seguir, inclusive aquelas que não professam a fé cristã: Budismo, Induísmo, Islamismo e os próprios Judeus, religião oficial de Jesus Cristo, que não o tem como Salvador do mundo.

Essa intolerância religiosa evolui para preconceito e violência. Não apenas violência física, mas principalmente a psicológica e discriminatória. As maiores vítimas são os fiéis das religiões de matrizes africanas. Estes são tratados com desdém, preconceito, zombaria, chacotas e até violência. O apóstolo Paulo (que também era um exímio perseguidor), dá a dica, por experiência própria, como se deve proceder quando a falta de compreensão bater à porta: "Portanto, como eleitos de Deus, santos, e amados, revesti-vos de compaixão, benignidade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós."(Colossenses 3:12,13)

O dedo polegar em riste no Brasil significa legal, tudo bem, okay, em alguns países é um gesto obsceno. Cueca no Brasil é vestuário masculino, em Portugal é feminino. Na Nova Zelândia mortadela é comida de cachorro. O que é certo pra uns, pode ser totalmente errado para outros e vice-versa, ou simplesmente ser apenas diferente. Deus é um Ser tão supremo, que Ele é Senhor até dos que não acreditam nele. Obviamente que uma tribo neozelandesa vai adorar o Criador à sua maneira. Mudam-se as nomenclaturas mas a essência é a mesma. 

Jamais iremos chegar a um denominador comum quando o assunto é religião. Porém podemos ser um pouco mais tolerantes com a fé alheia.

Samuel Cazumbá

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