quinta-feira, 15 de junho de 2017

OS TESOUROS PERDIDOS DE VICÊNCIA (FINAL)

AS ARQUITETURAS HISTÓRICAS     

Por José Edinilson Costa ( Nilsinho). 

edinilsonarte@hotmail.com

Entre os maiores tesouros  que Vicência perdeu, estão a destruição do patrimônio natural (abordado na primeira parte da matéria), e o cultural arquitetônico, que abordaremos nesta terceira e ultima parte.

Vicência, a pouco mais de 11 anos, ainda ostentava grande parte das belas arquiteturas que se identificavam com qualidades artísticas dos períodos, colonial, imperial e republicano. Se o centro da cidade estivesse  como a uns 30 anos atrás, teríamos um grande tesouro arquitetônico. Umas relíquias desempenhando um papel museológico, visitado por muita gente. Mas, apesar de ainda restar um pouco desses casarios que resgata a memória; a identidade; a cultura e a história do município, a ignorância e a arrogância de muitos proprietários de imóveis e o descaso da maioria dos políticos e suas politicagens, “ainda fala mais alto”, e fizeram uma verdadeira barbárie que começou a ser acelerada por volta de 2006. E a partir de 2012 a 2016, as destruições com justificativas infundadas, foram ainda mais absurdas. Para grande parte dos Vicencianos ( possivelmente a maioria), a preservação é um entrave para o progresso. 

Não pensam na prática do turismo, que colabora para uma cadeia produtiva que movimenta a economia de uma região, além das aprovações de projetos enviados a várias instituições governamentais e privadas que geram rendas para o município. A ideia de transformar o município num polo turístico e preservar o seu patrimônio, nasceu em 1989 quando foi inaugurada a primeira rampa de voo livre, na gestão do então prefeito Mário Ramos de Andrade Lima Filho (1989 a 1992)- embora que existam relatos que o Dr. Pedro Alves de Ataíde Sobrinho já se preocupava com isto- Quatro anos depois, já na gestão de sua esposa Eva Maria de Andrade Lima (1997 a 2000 e 2001 a 2004), foi feito um estudo no município por especialistas em turismo, que constataram que Vicência possuía um dos maiores potenciais turísticos do estado. Veio em seguida o trabalho de preservação do centro da cidade onde ficou denominado de sítio histórico e a importante restauração do Engenho Poço Comprido no governo de Jarbas Vasconcelos. 

Apesar da grande visão da administração, ouve alguns erros, pela falta de experiência, e o Conselho de Cultura naquele tempo não tinha  a experiência como o desses últimos anos – que até 2016, não foi aproveitado pelas gestões-.  Cabia aos gestores seguintes aperfeiçoarem os trabalhos de preservação e turismo.  Nem o plano diretor elaborado em 2006, nem a 1ª conferencia de cultura em 2009, e nem o decreto municipal em 2011, que determinaram a proteção dos mesmos, não conseguiram salvar várias dessas relíquias. A alguns anos atrás, uma das  equipes de turistas que se dirigiam para o Engenho Poço Comprido, passando pela Vila Murupé, ficaram embelezado com seus casarios, e resolveram parar e procurar um vereador do distrito, que no caso foi João Domingos (Caroca). Pediram a ele para conscientizar os donos daqueles imóveis para preservarem as suas belas fachadas. Mas infelizmente não adiantou muito: vez por outra, algumas estão sendo modificadas. Até o belo, antigo e famoso armazém foi demolido para a construção de uma caixa d’agua, que poderia ser construída preservando a fachada que serviria como muro. Pessoas chegaram a apelar ao então gestor ( Dr. Paulo), mas não adiantou: dizem que ele afirmou que queria tudo novo e tudo bonito. E o mais absurdo, é uma arte daquela, ser substituída por um arcaico muro. Outro fato lamentável, foi os saques do belo casarão do Engenho Tabatinga até a sua total destruição. Em 2014, o conselho elaborou um projeto de tombamento – que é mais eficaz do que o decreto -, baseado no de Olinda. Foi enviado à câmara de vereadores, mas o mesmo foi arquivado para não desagradar a um vereador que foi contra. 

A falta de visão -e não de informação – de certos políticos e de pessoas  que ocupam cargos importantes, deterioram o município. Cada parte do patrimônio destruído enfraquece o potencial turístico do município. Semanalmente, dezenas de pessoas  visitam os engenhos da rota turística do município. A grande maioria nem querem mais passearem no centro da cidade, horrorizados com tantas barbáries. O conselho municipal de políticas culturais é formado por 48 pessoas entre titulares e suplentes, que inclui pessoas com vastas experiências nas áreas culturais, e incluem professores de várias áreas, produtores culturais, artistas plásticos, pessoas com cursos de educação patrimonial; de museologia; pessoas das áreas da música, comunicação, profissional da construção civil, artesões, condutores de turismo, membros de ONGs ambientais, entre outros. As decisões debatidas vão para votação e  são enviadas a administração, que por sua vez vinha frustrando o conselho através de decisões tomadas atrás dos gabinetes por pessoas leigas no assunto. Desde a criação do conselho, nenhuma decisão do mesmo foi considerada pela administração passada, e  revoltaram também outros fora do conselho, como professores, artistas, intelectuais, estudantes de engenharia, de arquitetura, pessoas que fizeram o curso de educação patrimonial, de museologia, e outras pessoas que valorizam a cultura. 

O problema foi alvo de críticas por membros do IPHAN, FUNDARPE, EMPETUR e turistas até do exterior. Existem no mundo, culturas milenares que são preservadas, e cada vez mais a dedicação com as mesmas continuam aumentando. No Brasil, que com pouco mais de 500 anos já perdeu grande parte do seu patrimônio cultural, existem muitas cidades com suas partes históricas preservadas como: Olinda, Igarassu, Goiana,  Recife antigo, Ouro Preto, Paraty, São Luiz do Maranhão, Mariana, entre muitas outras. A mídia, principalmente a TV, frequentemente está mostrando as belezas das cidades históricas, e nenhuma foi impedida de se desenvolver. A mente arcaica de muita gente não captam tais informações; mas pode perguntar sobre o BIG BROTHER que quase todos sabem. Preservação é progresso! Muitas das cidades mais desenvolvidas do mundo protegem seus patrimônios históricos com muito rigor, assim como  outras bem menores e até lugarejos. 

As justificativas para quem não valorizam são varias: porém eu não sei qual é a mais absurda e a mais idiota. Em vez de se orgulharem das relíquias que tem, destroem! Se a pintura da ÚLTIMA CÉIA,  pintada em Milão no séc. IV por Leonardo da Vince, fosse aqui em Vicência,  eu não duvidaria nada que um desses ignorantes já teriam descascado para colocar cerâmicas ou porcelanatos. Ou mesmo se tivesse na fachada de um desses casarios uma escultura de Michelângelo ou de Aleijadinho: destruiriam também!


0 comentários:

Postar um comentário

LEIA AGORA NO VICENCIANET.
Todo mundo gosta. Todo o mundo acessa.