segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

NADA DE RODA. NADA DE FESTA.

A RODA FICOU EM JP.

Fotos: Samuel Cazumbá

As festas de natal aqui em Vicência sempre foram fracas. Na véspera, dia 24, um pouquinho de movimento nas ruas, onde depois do culto ou da missa, os pais levaram os filhos para "correrem" na cadeirinha, no patinho ou na barcaça. O dia 25 sempre foi reservado para a procissão motorizada saindo do engenho Jundiá. Após a chegada da Santa, uma voltinha na rua e casa. Um trator da prefeitura era estacionado na esquina da Praça Joaquim Nabuco e ninguém ousava passar nem de bicicleta, quanto mais de carro ou moto.

Já por Ano Novo a situação mudava. A Rua Grande ficava repleta de gente. Especialmente o pessoal da zona rural que, não sei porque, teimavam em usar óculos escuros em plena madrugada. Os petiscos ficavam por conta da pipoca de Seu Aldemar, da maçã do amor, dos confeitos de açúcar e do algodão-doce; tudo ao som do alto-falante da famosa roda gigante que tocada os bregas da época.

Este ano a coisa deu pra trás. No natal teve até uma festinha. Até Neymar (do maracatu) apareceu por aqui cantando ciranda. Depois teve uma banda animando quem estava desanimado. No Ano Novo, nem isso. Ruas vazias. Palco vazio. O vazio da roda. 

Mas a festa foi realizada. Na mente e no coração de cada um. Nas outras ruas, "na fazenda ou numa casinha de sapê". Festa quem faz é o povo. Ninguém deixou de reunir a família, se juntar com os amigos e desejar Feliz Ano Novo. 

Sim, também não teve fogos, quer dizer, teve, mas nem tantos. Aqui e acolá um tiro seco de um rojão solitário. Olhemos pelo lado bom: os cachorrinhos não se desesperaram tanto com mais uma invenção humana (e isso porque dizem que são seus melhores amigos!).

Nada disso impediu que 2017 chegasse. Acho que antecipou sua chegada. Que este ano traga de volta a esperança de dias melhores e a certeza que sairemos da crise mais fortes e preparados prááááá* outras.

No próximo natal não sabemos o que irá acontecer, mas uma coisa é certa:

QUEREMOS A RODA!


*Último prááááá. Deixará saudades para alguns e alívio para outros.

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