segunda-feira, 9 de maio de 2016

FUTEBOL & POLÍTICA: COERÊNCIA INCOERENTE.

PATINHOS FEIOS E JOGO DE CARTAS MARCADAS.

Por Samuel Cazumbá

O gol do zagueiro Durval contra o Campinense, aos 49 minutos do segundo tempo, fez o estádio Aldemar da Costa Carvalho (também conhecido como Ilha do Retiro) quase vir abaixo. O torcedor do Sport Club do Recife soltou um grande brado que talvez tenha beirado a loucura típica dos amantes do futebol. Ao Leão recifense bastaria um simples empate por qualquer placar no jogo de volta para que o time disputasse a final do Campeonato do Nordeste, provavelmente contra o Bahia, que empatara com o Santa Cruz em 2 X 2, na casa do tricolor pernambucano.

Viajam Sport e Santa Cruz. O primeiro, já entraria em campo classificado, não precisaria nem marcar gols, bastaria apenas não levar nenhum. Já o segundo teria que fazer algo quase impossível: arrancar uma vitória dentro dos domínios baianos. Nota: o time do Bahia ainda não havia perdido na competição. A lógica pregava que a decisão da Copa do Nordeste se desse entre o rubro-negro pernambucano e o tricolor baiano.

Seguindo a imprevisibilidade futebolística, a final tinha sim um rubro-negro e um tricolor. Santa Cruz Futebol Clube e Campinense Futebol Clube. Os dois Patinhos Feios do torneio. A coerência tornara-se incoerente e o Santa Cruz, que havia perdido duas vezes do próprio Bahia, fez um único gol, ainda no primeiro tempo, derrotou o Tricolor da Boa Terra e sagrou-se pela primeira vez campeão da competição ao decidir com o time paraibano (que derrotara o Sport nos pênaltis) em plena Campina Grande.

No futebol o jogo só acaba quando termina e vice-versa. Em política não é bem assim. Excluindo-se alguns casos, quando há um empate técnico entre os adversários, tudo já está devidamente decidido. O Brasil e o mundo acompanharam a votação da admissibilidade do processo de Impeachment da presidentE Dilma Roussef , na Câmara Federal. Um jogo no qual já se sabia o placar antes da bola rolar. A torcida aguardava apenas o momento exato para comemorar o que já estava determinado. Seria impossível uma virada de mesa, tão comum ao futebol.

O fato é que, ao que parece, a presidente Dilma está com os dias contados e há uma incerteza sobre o que pode acontecer ao país em um possível-provável-eventual governo Temer. Alguns são favoráveis a realização de novas eleições. Outros pedem a cassação da chapa. E outros mais pregam que Não Vai Ter Golpe. Isso é que é Democracia. Cada um levanta a bandeira que quiser. Fala, grita, vai à rua e defende os seus ideais.

Em outubro próximo teremos eleições. Os eleitores escolherão prefeitos (ou prefeitas) e vereadores (ou vereadoras). A atual crise nunca vista antes na história deste país tem afetado de maneira avassaladora os municípios. Os gestores atuais estão tendo dificuldades tremendas em fazer a máquina funcionar. O combustível principal anda escasso. A fonte secou e até o pires, que estava na mão, espatifou-se no chão.

Mesmo com um cenário sombrio e perspectiva nada favorável (muito menos tranquila), muitos querem assumir o cargo de Gestor Municipal a partir de 1º de janeiro de 2017. 

Isso é que é Democracia. Qualquer pessoa pode se candidatar (Desde que seja filiado a um partido, obviamente). Antes do apito inicial do árbitro o jogo já começa cheio de infrações, desrespeito e ódio pelos adversários. Adeus fair play, bem-vindos ataques e contra-ataques. 

Neste jogo de cartas marcadas um já sabe que será vencedor e o outro irá apenas cumprir tabela e segurar o troféu do segundo lugar que, diga-se de passagem, nuca teve lá esse valor no Brasil. 

Diferente do futebol a política não é imprevisível. Será sempre um jogo de interesses no qual se sairá melhor quem tiver um boa estratégia de ataque, uma defesa bem plantada e um orçamento que permita contratar reforços e comprar "munição" de última hora.

Com as equipes agindo assim... não há o que Temer!







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