sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

"VAMOS OCUPAR VÁRIAS CAPITAIS COM TRATORAÇO": ALEXANDRE ANDRADE LIMA.

Ação anunciada pela presidente, na inauguração da Via Mangue, não beneficiará os agricultores que protestavam pelas ruas do Recife hoje pela manhã, mas a iniciativa beneficiará apenas as usinas de açúcar. "Dilma se mostrou totalmente equivocada, demonstrando que desconhece muito o setor canavieiro e seus problemas", critica a Unida.

(Por Robério Coutinho - A.I.)

A presidente Dilma Rousseff afirmou hoje, durante seu discurso na inauguração da Via Mangue, no Recife, que vai publicar amanhã (22), o decreto que regulamenta a lei que permite aos produtores de açúcar usar recursos do fundo de exportação para obter financiamento privado. O discurso foi feito para amenizar as críticas e impasse com canavieiros nordestinos, que, barrados pelo cerimonial do evento há quilômetros de distância de onde ela estava, protestavam contra a não regulamentação da lei da subvenção da cana (12.999), datada de 2014, impedindo o pagamento do benefício para 30 mil plantadores de cana. O pior é que, com seu discurso, Dilma acirrou os ânimos, porque mostrou desconhecer o setor canavieiro, formado por plantadores de cana e não de usineiro (donos de usina). Isso porque a medida anunciada pela presidente para contornar a situação, a qual está vinculada à Medida Provisória 701/15, atende exclusivamente usinas de açúcar e não os plantadores de cana-de-açúcar. 

Ao anunciar o decreto, Dilma disse que isso iria dar aos produtores uma garantia, junto aos bancos, para que eles possam replantar e garantir renda e emprego para brasileiros e brasileiras. "Essa medida não atende a nós, plantadores de cana (23 mil no Nordeste), mas tal decreto anunciado atende exclusivamente os donos de usinas que produzem açúcar, não abrange nem às usinas produtores de etanol" explica Alexandre Andrade Lima (foto), presidente da Unida - União Nordestina dos Produtores de Cana.

A Unida não é contrária a medida anunciada por Dilma em defesa das usinas, mas questiona a presidente por não anunciar a regulamentação da lei da subvenção, que foi sancionada em 2014, para amenizar os prejuízos dos canavieiros diante da maior seca dos últimos 50 anos no NE. "Ao tomar conhecimento do anúncio feito, a Unida acusa Dilma de, ou tentar ludibriar a opinião pública sobre a sua não atenção com o setor canavieiro, expostos hoje pelos agricultores no protesto, ou, ainda pior, mostrou o seu total desconhecimento e desinteresse com este setor, que, além de ser mais frágil economicamente, por estar na ponta da cadeia produtiva do açúcar e etanol, também precisa sobreviver, gerar emprego e renda e manter a família no NE", diz Lima.

Novo protesto 
Ao final do protesto dos canavieiros no início da tarde, a Unida anunciou que novas manifestações acontecerão e elas serão ainda maiores. "Vamos ocupar simultaneamente varias capitais do NE com um 'tratoraço' - tratores e caminhões nas ruas das cidades", adianta Lima. A manifestação está prevista para ser realizada no dia 13 de março. A Unida aproveita para pedir desculpas a população do Recife, pelo transtorno face aos engarrafamentos provocados pelo protesto. Porém, lembra que isso só ocorreu porque os agricultores foram impedidos de seguir, de forma democrático e pacífica, para o local da inauguração da Via Mangue, onde estava a presidente Dilma, única responsável e alvo da manifestação dos plantadores de cana do Nordeste.      

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