terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A HIPOCRISIA NOSSA DE CADA DIA (Publicado simultâneo com o Facebook)

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.” (Mt 23. 27-28)

Imagine as cenas: 

As pessoas estão em uma reunião qualquer. De repente um anão de 90 centímetros entra no recinto e se senta em algum lugar. Os que não rirem na hora, no mínimo cochicharão algo com o colega de estatura normal.

Na sala de aula os alunos estão estudando sobre preconceito. Um rapaz negríssimo, estilo keniano, pede licença para dar um recado. Risadinhas sarcásticas ecoam sala adentro.

Um senhor de seus 60 anos vem caminhando tranquilamente pela rua quando tropeça, dá cinco passos à frente e se esborracha no solo. Lá está ele, com a "cabeça" do dedo ensaguentada, se contorcendo em dores enquanto algumas pessoas riem da situação. Uma queda é sempre cômica, né?

Dois homossexuais vão passando pela rua. Simplesmente usam o direito constitucional de irem e virem. não falta quem caçoe, xingue ou tenha vontade jogar pedras ou assassinar os dois (muitos já fizeram isto).

Alguns grupos religiosos ocupam as ruas para realizarem os cultos e têm todo o direito de fazê-lo, já que o Brasil é um país laico. Se os integrantes do Candomblé ou de qualquer religião afro pegarem os tambores e forem cultuar seus deuses, alguém vai chamar a polícia para acabar o "catimbó".

Esses são apenas alguns poucos exemplos que provam que não vivemos aquilo que pregamos. Falar é muito fácil. É só abrir a boca. O problema é colocar em prática o respeito às diferenças, a compreensão, a empatia e o amor ao próximo. De acordo com a Bíblia o ser humano é mau. O sábio Salomão advertiu: "Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque". (Eclesiastes 7:20)

Continuamos rindo das desgraças alheias (sem generalizar, obviamente (1)) e achamos tudo normal, desde que não envolva um membro de nossa família. A cada dia que passa desenvolvemos sobremaneira nossa hipocrisia mascarada por um de puritanismo ou religiosidade extrema. Somos lobos em pele de cordeiros e até praticamos o bem, conquanto tenhamos uma recompensa futura (sem generalizar, obviamente (2)).

O egoísmo toma conta de tudo e de todos. As pessoas estão mais propensas em construíres muros, que separam: do que pontes, que unem. A falsidade permeia os quatro cantos do mundo. Muitas vezes choramos e sentimos muito pelas vítimas das guerras no Oriente Médio, porém esquecemos que em nossa rua há pessoas injustiçadas por uma política corrupta ou necessitando de um simples abraço.

Estragamos comida, quando há tantos famintos. Desprezamos e ignoramos nossos pais, nossos avós, quando muitos dariam tudo para tê-los novamente. Culpamos o governo e não apresentamos soluções. Preocupamo-nos tanto com a vida dos outros, que esquecemos da nossa.

Precisamos valorizar cada momento com aqueles que amamos (ou pelo menos o dizemos da boca pra fora, ou nem isso). Muito bem lembrou Shakespeare: "Sempre se despeça das pessoas que você ama com um abraço, pois pode ser a última vez que você a vê." Estamos longe disto. Há pessoas nos abraçam com uma falsidade indisfarçável. Talvez quisessem ter à mão um punhal com o qual nos desferiria um provável golpe.

Na Parábola do Bom Samaritano, o Mestre deixou bem claro quem foi aquele que agiu com humanidade (Evangelho segundo Lucas, capítulo 10, versículos 25-37). Quase todos passaram ao lado do homem caído e ensanguentado. Quem sabe muitos não riram da situação. Outros tiveram pena, mas não se dispuseram a ajudar. De onde menos se esperava veio o socorro: de um inimigo. Jesus diz que o Samaritano se compadeceu da situação e agiu. Prestou os primeiros socorros, conduziu o doente ao hospital, pagou a conta e ainda se prontificou a cobrir outras despesas, caso necessário.

Precisamos sair da teoria e ir à prática. Só assim conseguiremos amar e viver mais. Então aprenderemos a colocar em evidência um dos grandes desígnios da humanidade: viva e deixe viver. 

Samuel Cazumbá



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