sexta-feira, 20 de março de 2015

E O SALÁRIO DO PROFESSOR?

EM RELAÇÃO A OUTROS PROFISSIONAIS, O PISO SALARIAL DOS CHAMADOS MESTRES NADA TEM DE ATRATIVO.

Por Samuel Cazumbá

Agora vou falar (ou escrever) com propriedade. Sou professor devidamente graduado pela Universidade de Pernambuco e Pós-graduado pela Universidade Federal de Pernambuco. Pertenço ao quadro dos efetivos do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de Vicência (eita piula!).

Tornou-se uma verdadeira celeuma a questão do reajuste anual dos docentes. Governos e prefeituras apelam para ver quem consegue arranjar uma maneira de surrupiar a Lei. Quando encontram uma brecha, invadem-na sem dó nem piedade. Pobres (nem tanto) mestres! Vêem-se em um jogo de empurra-empurra no qual os opressores sempre vencem. Para ganhar um pouco mais os professores ou se submetem a trabalhar em três turnos ou lecionam em escolas "diferenciadas". Têm jornadas duplas, triplas e quando não conseguem se firmar financeiramente, procuram outra atividade para fazer.

É inegável que a situação dos professores melhorou. Especialmente aqueles que viraram estudantes de novo e se especializaram, fizeram cursos extras, aproveitaram as oportunidades. Depois de tantas lutas, batalhas e revoluções muitos colhem os frutos da perseverança e ostentam seus bens móveis e imóveis. No entanto, o desrespeito à classe é visível. O Poder Público não investe o necessário para termos uma educação de qualidade. Faltam recursos para a área e sobram para as falcatruas do dia-a-dia.

Precisamos discernir o que é promessa de campanha e que pode ser real (Também falo com propriedade sobre isso). Não é de hoje que os políticos durante o período eleitoral prometem mundos e fundos. Ao término da mesma, apenas o segundo resta ao eleitor. Um cidadão desavisado, alienado pelo processo e pelo sistema pode até se enganar com os dizeres extravagantes dos pretensos gestores, mas soa um tanto estranho um educador se deixar levar pelos ventos de outrora. Até mesmo o eleitor puxa-saco mais convicto sabe das dificuldades que o pretenso cidadão terá para cumprir suas promessas palanqueanas.

O quadro se inverteu em Pernambuco. Muitas prefeituras já estão pagando o aumento de 13,01% proposto pelo Governo Federal, enquanto que o estado, que outrora era exemplo, "esqueceu" como se faz o processo. Há um clamor da categoria, ou pelo menos da imensa maioria (cerca de 90% dos docentes) que ficaram fora do reajuste. O próprio governo, que pagou para os professores se especializarem, concede aumento integral (13,01%) apenas para aqueles que possuem apenas o Magistério (Curso que agoniza na UTI com data marcada para acabar). Aos graduados, pós-graduados, mestres, doutores ou sei lá o que mais, 0,89%.

As palavras que me vêm agora à mente não podem ser publicadas...

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