sábado, 11 de outubro de 2014

ROBERTO GATO (História em dois capítulos)

"Narração de um fato verídico acontecido quando eu trabalhava na Farmácia São Benedito, entre as décadas de 1980 e 1990. O proprietário da Farmácia na época, Benedito Nunes Pereira Filho, Xaxá, trouxe um gato do Recife. O nome do bichano era Roberto Carlos e... Bom, vamos conhecer a história dele."

ERA UMA VEZ...

ASSIM COMEÇAM A MAIORIA DAS FÁBULAS. COM TRADICIONAL ERA UMA VEZ... SUBSTITUIREI O VERBO POR UM SEMELHANTE. PORQUE O PERSONAGEM DESTA NARRATIVA MERECE TODA E QUALQUER DIFERENCIAÇÃO. ERA ÚNICO. ENTÃO...

UMA VEZ EXISTIU UM GATO. MELHOR SERIA SE DISSÉSSEMOS O GATO. ROBERTO NÃO ERA UM GATO COMUM. OS ASPECTOS FÍSICOS SE ASSEMELHAVAM AOS FELINOS NORMAIS. DE PELAGEM MISTA, COM TONS DE CINZA, PRETO E BRANCO, EXIBIA-SE SOBERANO SOBRE OS DEMAIS.  O MODO COSMOPOLITA O IMPEDIA DE SE MISTURAR COM OS COMPANHEIROS DE NOITADAS.

DE OLHAR SAGAZ, ELE SEMPRE NOS FITAVA COM SERIEDADE. A DESCONFIANÇA ERA-LHE COMPANHEIRA FIEL. ROBERTO GATO NÃO SE DESCUIDAVA. OBSERVAVA TUDO. AO ENTRAR NUM LOCAL, PARAVA, SUSPIRAVA, ERGUIA A CABEÇA, EXAMINAVA OS QUATRO CANTOS E RELANÇAVA SEU OLHAR PARA NÓS COMO SE PERGUNTASSE PELO QUINTO.

ERA DIFÍCIL OUVIR UM MIADO DE ROBERTO. A BOA EDUCAÇÃO RECEBIDA NÃO LHE PERMITIA FALAR ALTO COMO O FAZEM A MAIORIA DOS NORDESTINOS. NA MAIORIA DAS VEZES EU JANTAVA NA FARMÁCIA, POIS ESTUDAVA LETRAS NA FACULDADE DE NAZARÉ DA MATA, E O GATO, NOSSO GATO, VINHA ROÇAR-ME AS PERNAS EM BUSCA DE UM PETISCO. CRISTINA, SERVIDORA DA CASA, O CHAMAVA PARA DENTRO. MESMO SEM QUERER ELE OBEDECIA.

ROBERTO "GATO" CARLOS NÃO ERA UM EXIBICIONISTA. TINHA TUDO PRA SER. TRAZIA NO SANGUE A FORÇA DA NOBREZA E SUA VIVÊNCIA NA CAPITAL SERVI-LHE-IA DE EXPERIÊNCIA PARA COMPACTUAR COM SEUS SEMELHANTES. MAS ELE PREFERIU A RESIGNAÇÃO. O ANONIMATO. ATÉ PORQUE ERA MUITO EXPERIENTE. SEUS 8 OU 9 ANOS DE VIDA ( NUNCA SE SOUBE A IDADE EXATA DE ROBERTO) PODERIAM TORNÁ-LO UM CONTADOR DE HISTÓRIAS. MAS ELE PREFERIU O SILÊNCIO.

O BICHANO ESCOLHEU O SÓTÃO PARA MORAR. CONVIVEU COM MORCEGOS, RATOS, BARATAS, ARANHAS E FORMIGAS. TALVEZ ATÉ CONVERSASSE COM ELES, OU O MAIS PROVÁVEL É OS DEIXASSE VIVER EM PAZ. CADA UM NA SUA. ROBERTO RESOLVEU DESCANSAR. E SÓ. SUBIA E DESCIA AS ESCADAS LENTAMENTE. QUANDO QUERIA, E SÓ QUANDO QUERIA MESMO, SUBIA NO MURO E OBSERVAVA O MUNDO AO SEU REDOR. UMA IMENSIDÃO DE TELHADOS E ANTENAS DE TV. TELHAS DE TODO TIPO: ALVENARIA, BRASILIT E ATÉ PALHAS DE COCO. ANTENAS DE ALUMÍNIO (TIPO ESPINHA DE PEIXE) E LÂMPADAS FLUORESCENTES QUEIMADAS. OUVIA AO LONGE O BARULHO DOS AUTOMÓVEIS NAS RUAS CIRCUNVIZINHAS. DEPOIS DE UM CERTO TEMPO, CANSADO DA MONOTONIA, SUBIA AS ESCADAS E IA PARA O SEU APOSENTO PREFERIDO E ESCOLHIDO. DEITAVA-SE EM UM TAPETE ENCARDIDO E DORMIA POR UM LONGO TEMPO.

DE REPENTE ALGO ESTRANHO ACONTECE.

(Mas você só vai ficar sabendo na próxima quarta-feira quando será publicado o final desta história)

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