segunda-feira, 18 de agosto de 2014

NILSINHO: HISTÓRIA E ARTE A SERVIÇO DE VICÊNCIA

OBRAS DO ARTISTA PLÁSTICO JOSÉ EDINILSON, NILSINHO, ENFEITAM O BLOG NOS PRÓXIMOS DIAS

A PARTIR DE HOJE VOCÊ VAI ACOMPANHAR AQUI NO VICENCIANET AVIDA E A OBRA DE UM IMPORTANTE ARTISTA DA NOSSA TERRA. QUEM O VÊ DE LONGE OU DE PERTO E NÃO CONHECE SUAS HABILIDADES COM A ARTE, ACHA QUE ELE NÃO É DE NADA. MAS, DÊ-LHE UM PINCEL, UM LÁPIS, OU SIMPLESMENTE UM PEDAÇO DE CARVÃO, QUE A OBRA NASCE.

ARTISTA NATO, UM TANTO DESPREZADO PELO TORRÃO NATAL (ATÉ O CRISTO SOFREU ESSE MAL!), JOSÉ EDINILSON COSTA, O NILSINHO, DE 54 ANOS É UMA FIGURA ÍMPAR NO MUNICÍPIO DE VICÊNCIA. SUA VOZ COMPASSADA É RECONHECIDA AO LONGE E O DESESPERO CERTAMENTE NÃO FAZ PARTE DA SUA VIDA. 

O TEXTO ABAIXO MERECE SER ARQUIVADO POR ESTUDANTES DE HISTÓRIA, SOCIOLOGIA,  ARTES PLÁSTICAS E LITERATURA. A PRODUÇÃO É DE JÉSSIKA LIMA COSTA, ESTUDANTE DA UPE E FILHA DE EDINILSON, EM PARCERIA COM EDINALDO SÍLVIO PEREIRA, ARTESÃO, PRODUTOR CULTURAL E CORDELISTA.

ALÉM DO TEXTO, TODOS OS DIAS, O VICENCIANET ESTARÁ EXIBINDO UMA OBRA DO ARTISTA. COMEÇAMOS COM O ESPLENDOR DO ENGENHO POÇO COMPRIDO EM ÓLEO SOBRE TELA.

EDINILSON, UMA ALIANÇA COM A ARTE, E SEUS DESEMPENHOS EM OUTRAS ÁREAS.

Por Jéssika Lima Costa (Estudante  do curso de História na UPE) e Edinaldo Sílvio Pereira (Artesão, produtor cultural e cordelista)

"Quando os primeiros trabalhos (desenhos) de Edinilson começaram a aparecer nas paredes das ruas, causou espanto em muitas pessoas. Grandes partes delas nunca tinham sido vistas ao vivo, trabalhos assim; de forma mais real. A trajetória desse artista, você vai ler a seguir."

José Edinilson Costa, também conhecido como Nilsinho; quem o vê fazendo algum tipo de trabalho, às vezes até grosseiro, não imagina o artista que ele é...

É natural de Vicência. Com uns sete anos de idade foi morar no Recife e depois em Olinda onde foi matriculado em um colégio. Tempos depois voltou e foi matriculado no Juvenato Padre Guedes. Nunca foi bom aluno nem na fase de criança nem na de adolescente, mas se destacava nos desenhos e outros trabalhos de arte, e nas muitas brigas que se envolvia dentro e fora da escola, (apesar de não provocar e ter um temperamento calmo). Nas brincadeiras, quando a turma queria fazer ou consertar alguma coisa, falavam logo o seu nome. Nesse tempo, na década de 1970, vários motoristas andavam com um menino para ajuda-lo, e Edinilson andava com o seu irmão, mas nunca teve o sonho de ser choffer como as crianças da época tinham. 
De espírito aventureiro e ecológico; desde a infância a fase adulta, teve gosto pela aventura, embrenhando-se nas matas e sítios com os colegas, atravessando rios em períodos de enchentes, escalando monte, árvores, torres, fazendo longas caminhadas pelas serras, acampando, etc. Abandonou os estudos por vários anos na sexta série (2º ano ginasial) hoje 7º ano. Às vezes trabalhava ajudando seu pai que era sapateiro. No início da maior idade foi trabalhar como servente de obras e posteriormente pedreiro. Sua fama logo se espalhou graças à boa qualidade do seu acabamento. 
Entrou para a prefeitura, mas depois foi dispensado junto com a equipe que concluíram a obra. Pouco tempo depois foi convidado a voltar, mas não aceitou o convite, pois foi ingressar na CERSIL, uma cooperativa de eletrificação rural, na época administrada pelo governo do Estado através da CELPE. O super administrador Dr. Walter Alexandre da Silva que ocupava o cargo de gerente já o havia chamado duas vezes para esta empresa, mas foi na 3º vez que Edinilson resolveu aceitar; enquanto várias pessoas tentavam uma vaga por concurso ou indicação política. Durante muitos anos quem era famoso como desenhista em Vicência era o comerciante e artesão conhecido como Baixa Bilau; ele fazia máscaras e outras fantasias para vender no carnaval, abria letreiros (desenho de letras) etc. 
Era muito criativo, mas seus trabalhos eram rústicos e seus desenhos sempre eram em forma de bonecos. Posteriormente, depois da aparição de Edinilson, foram aparecendo outros, como: Neo Pintor com seus letreiros e Josuel com letreiros e desenhos. Antes de trabalhar de servente, Edinilson já fazia vários desenhos e outros trabalhos escolares para as pessoas. Certa vez resolveu fazer um trabalho para colocar na parede da sua casa: pintou um animal em uma folha de isopor, várias pessoas que viam queriam um. Fez vários, a maioria “0800”. Mesmo trabalhando de servente, nos dias de folga fazia seus trabalhos abrindo letreiros e as vezes desenhando nas paredes, causando muita admiração. Diz ele que não era nada espetacular, a razão era por que a maior parte do povo só viam coisas assim nos livros, revistas, TV, etc.

Durante os anos que passou na CERSIL como eletricista de AT e BT, trabalhou em vários serviços. Muitos deles duríssimos: eletrificando áreas rurais; muitas de difícil acesso. Não se destacou entre os melhores eletricistas, mas sim nos serviços mais perigosos (ele gostava) e em vários outros que fazia. Era tido como o Homem das 1001 utilidades. Em 1994 assumiu a oficina desta empresa como técnico em transformadores; fazendo vários melhoramentos, ficando como referência no Estado graças a qualidade dos serviços e aumento da produção. 
Durante os 19 anos que trabalhou na Cersil (1985 a 2004) foi difícil conciliar o trabalho da empresa com os de arte devido à carga horária que incluía horas extras. Mesmo assim nas folgas fazia suas artes e fez algumas exposições de pinturas: a primeira em 1989, a segunda em 1991, juntamente com os artistas Biart Cadena e Eunice Jerônimo; seguindo de mais umas quatro dentro e fora do município. Além dos desenhos e pinturas, fazendo também esculturas, artesanatos, fotopintura, restaurações de várias coisas; inclusive fotos e obras arquitetônicas. Quando brincava carnaval, suas fantasias eram as mais que chamavam atenção. Quando o procuravam para fazer algum desenho para alguma equipe em algum concurso, não queria participar, pois era sempre de última hora e não tinha tempo de caprichar; mas mesmo aceitando, quase sempre tirava em 1º lugar. Às vezes participa de comissão julgadora em concursos de arte, dá palestras nas escolas sobre desenhos, etc. O seu apego à cidade influenciaram nas dificuldades, principalmente devido à cultura e o poder aquisitivo local.  
Sua maior clientela é de outros Municípios; às vezes através de atravessadores que chegam a ganhar dez vezes acima do valor cobrado, principalmente quando é uma restauração de foto muito ruim que foi mal sucedida em Recife ou em outro lugar. (Na conferência de cultura de 2009, o prof. Samuel Cazumbá, que é preocupado com a cultura local comentou também sobre Edinilson, pois as novas gerações não o conhecia como artista). É difícil para ele viver só de arte em Vicência como também não quis mais trabalhar em firma de energia, pois lhe ocupava muito tempo. Por volta de 2005 foi trabalhar como segurança em uma equipe criada pela P.M.V que tempos depois foi extinta, e posteriormente passou a trabalhar com seu irmão. Resolveu fazer o exame supletivo onde concluiu o ensino médio; inscreveu-se no curso de educação física do CREF , na escola superior de educação física [ESEF] da UPE, ficando assim como professor de educação física (na área de musculação), categoria provisionada (não provisório). Ele já tinha academia de musculação e uns tempos com artes marciais desde 1992/93. Os equipamentos ele mesmo quem fazia e ainda o faz. 
Em 2011,  entrou na P.M.V. na área de segurança exercendo o trabalho de vigilante ou guarda municipal. Trabalhando certo, foi mais uma de suas virtudes. Foi um período melhor ficando mais fácil conciliar com a sua arte devido a carga horária ser menor; nesse tempo, também fez o curso de produtor cultural e começou a escrever um livro sobre a história de Vicência.  Depois das eleições de 2012,  foi dispensado. Edinilson é uma pessoa prestativa: contribui com serviços no Mercado Regional de Arte a vários anos, é membro de uma ONG ambiental(IPDAPE), faz parte do conselho de cultura, e do de turismo, foi um dos 4 da delegação que foi representar o município na conferência estadual de meio ambiente em 2013, é um defensor do patrimônio histórico, tem ideias importantes para o melhoramento do turismo no município,  entre outros. 
E não pensa em ser político, (talvez a sua vocação para certas coisas, tenha vindo de herança genética devido aos bons profissionais da família). Entre os bons profissionais da família estava seu pai, um afamado sapateiro que sua fama foi além...e sua mãe, uma talentosa costureira. Em 1884, seu bisavô paterno foi notícia no diário de Pernambuco, que, sem conhecimento de engenharia mecânica, modernizou a moenda de cana do engenho Tejo [extinto] aqui em Vicência. Pois assim concluímos que José Edinilson Costa, hoje com 54 anos, tem pouquíssimo tempo para aproveitar sua arte, seu talento e a sua inspiração.

Um comentário:

  1. Foi meu encarregado na oficina de transformador.Muito sucesso Nilsinho.
    Mário.

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