quarta-feira, 16 de julho de 2014

PROTAGONISTAS E TESTEMUNHAS OCULARES DA HISTÓRIA

NOSSA GERAÇÃO É PRIVILEGIADA. ATRAVESSAMOS UM MILÊNIO E ASSISTIMOS A MAIOR VERGONHA DO FUTEBOL BRASILEIRO EM CEM ANOS.

Deixei para escrever meu comentário sobre a Copa do Mundo no Brasil depois que ela acabou. Afinal foram tantas emoções... Fiz questão de guardar não apenas na memória, nem no HD do computador, mas arquivei o jornal (de papel mesmo) para posteriori.

A primeira Copa que me recordo foi a de 1978. Poucas pessoas tinham TV colorida à época. Naquele tempo, o Brasil vivia o início do período da Anistia Política. Parlamentares, cantores e artistas voltavam do exílio. Assistimos a uma guerra que nunca houve. Os Estados Unidos desafiava a União Soviética e vice-versa para um Conflito Nuclear. O mundo era dividido em duas esferas: o Capitalismo norte-americano e o Comunismo soviético. A Alemanha (não a Seleção, mas o país) era dividida: Oriental e Ocidental, esta última também chamada de EIRE.

Os anos 80 foram marcados por acontecimentos históricos fantásticos. E nós estávamos presentes. Vimos com nossos próprios olhos pela tela azul de uma TV em preto e branco, Philips, National ou Telefunken, nascer o primeiro bebê de proveta no Brasil. Vimos passar um Cometa sobre a Terra. Assistimos, estupefatos, a Argentina (o país, não a Seleção) declarar guerra à Inglaterra por causa de uma ilha na América do Sul. Testemunhamos o fim do comunismo. Caiu o muro de Berlim! Familiares, separados por metros de concreto, se reencontraram. Tivemos o privilégio de acompanhar a redemocratização brasileira, desde a volta dos exilados até os comícios das Diretas Já. Tivemos a honra de eleger parlamentares que promulgaram nossa Carta Magna. Voltamos a votar pra Presidente. Assistimos o início, o meio e o fim do conflito Irã X Iraque.

Fomos tetracampeões em 1994 após 24 anos. Vimos o fim da União Soviética e a ascensão Americana. O povo brasileiro elegeu e tirou um Presidente. Choramos com a morte de um mito brasileiro da Fórmula 1: Ayrton Senna do Brasil. Comemoramos os aniversários de 500 anos da América e do Brasil. Trocamos de moeda como se troca de roupa: cruzeiro, cruzado, cruzeiro novo, cruzado novo... apareceu até uma tal de URV (Unidade Real de Valor) até surgir o Real.

Até que... atravessamos o século! O milênio! Passamos do ano 1.000 para o 2.000, e nos transportamos do século XX para o XXI. Aí assistimos mais estupefatos ainda, ao maior atentado terrorista da história da humanidade: a destruição total dos edifícios das Torres Gêmeas em Nova Iorque. Assistimos ao vivo o casamento e a morte de uma princesa. Conhecemos e chegamos até a tocar em personagens que hoje ocupam os livros de História: Miguel Arraes, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Marcos Freire e tantos outros.

Ouvimos, cantamos e dançamos com artistas insubstituíveis: Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Elis Regina, Frank Sinatra, Michael Jackson, Mamonas Assassinas e outros mais. Acompanhamos figuras únicas em todo o planeta: Nelson Mandela, Indira Gandhi, Saddan Hussein, Osama Bin Laden, Jimmy Carter, João Paulo II, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Chacrinha, Roberto Carlos, Vinícius de Moraes, Reginaldo Rossi.

Que prazer ver a Seleção Brasileira ser campeã pela quinta vez! Ter visto em vida craques como Pelé, Garrincha, Rivelino, Zico, Sócrates, Falcão, Ronaldo "Fenômeno" e sai que é tua Tafaréu! 

Por fim presenciamos, ao vivo, em cores e em HIGH DEFINITION (HD) a maior goleada sofrida pelo Brasil em 100 anos de história. Não foi só a Seleção Brasileira que tomou 7 X 1 da Alemanha. Foi o povo brasileiro. Foi o operário que atrasou o serviço por causa do jogo. Foi o comerciante que fechou o estabelecimento mais cedo. Foi o empresário que investiu na copa. Foi o estudante que não foi à aula. Foram as crianças que choraram desesperadamente...

E não perdemos só os jogos. Perdemos também Luciano do Valle, Osmar de Oliveira e Maurício Torres.

Mas o espetáculo tem que continuar...

Ânimo cidadãos! Alegria meu povo! Os jogadores do Brasil nos deram a chance de, daqui a 20 ou 30 anos, nos orgulharmos de termos presenciado a maior vergonha do futebol brasileiro. Um fato como esse não se repete com tanta facilidade. Afinal foram dez gols em dois jogos. E com vaga pra mais. Foi a maior goleada sofrida por um país-sede. 

Quando nossos netos estiverem crescidos, os sentaremos no colo, abriremos um jornal, revista ou página da Internet, bateremos no peito e diremos: ""Eu também fiz parte dessa História!'

"Tão bonito quanto as vitórias, são as derrotas de cabeça erguida. Outras Copas virão."




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