terça-feira, 1 de julho de 2014

A HORA E A VEZ DO PROFESSOR DO ENSNO FUNDAMENTAL

Base falha pode expor alunos ao ridículo no Ensino Médio


Por Samuel Cazumbá

Considero-me com certa propriedade para falar (ou escrever) sobre o assunto. Não é muito, mas foram 20 anos lecionando em turmas de quinta a oitava séries (atuais sexto e nono ano, respectivamente). É interessante e até divertido, observar o olhar curioso e ao mesmo tempo assustado da criança recém-saída do Primário (atual Fundamental Um). A realidade agora é outra. Ela passa a ter vários professores ao invés de apenas um. O número de disciplinas dobra e há uma expectativa geral de como serão as aulas.

No chamado Ensino Fundamental Dois os alunos começam a perder o vínculo afetivo com os professores. Como no Brasil a quantidade de homens lecionando do 1º ao 5º ano é pequena, as “tias” reinam e conseguem fazer trabalhos maravilhosos com os pequenos. É nesta fase que os alunos aprendem se divertindo e se divertem aprendendo. Muitos risos, descobertas e a esperança de um futuro melhor através da aprendizagem das primeiras letras.

De repente um rompimento de paradigmas. O que era belo se torna obscuro. A alegria do Jardim da Infância dá lugar à preocupação com os cálculos matemáticos e as regras da Língua Portuguesa. A seriedade exagerada e a monotonia de algumas aulas torna o estudo chato e cansativo. Daí surgem o desinteresse, a preguiça e, consequentemente, os baixos rendimentos nas avaliações internas e externas. O ensino e o estudo passam a não fazer mais sentido para o discente. O currículo descontextualizado não valoriza o habitat natural do aluno. A família só vai à escola em dia de festa, reunião ou para atender um chamado da diretoria. Os recursos materiais, que já eram escassos, desaparecem e o professor tem que virar com o livro, o quadro e o giz.

Cabe ao professor (re)inventar a história. Fazer diferente. Buscar soluções. Estudar, planejar, compartilhar e fazer com que sua aula se torne interessante para ele e para o aluno. O professor Vasco Moretto em um congresso da Sapiens afirmou que “quando a escola perde o sentido para o aluno, ele perde o rumo.” E essa perda de rumo se reflete no Ensino Médio.

É necessário, portanto, uma atenção especial de todos os setores envolvidos. E o papel do professor do Fundamental torna-se essencial. É ele quem molda a peça. É ele quem planta e cultiva a semente, entregando-a para ser amadurecida e enriquecida com os nutrientes necessários. Se houver uma boa base, a construção será mais sólida. Obviamente que deve haver também uma contrapartida do aluno. Este deve aumentar o grau de interesse pelos conteúdos (que devem fazer sentido para sua vida) e estudar, estudar e estudar. Não há mais o que fazer. É uma questão de tempo, planejamento e organização.

Os laços de afetividade que unem os estudantes do Ensino Fundamental aos seus professores devem continuar. Junto com eles o aprendizado e o conhecimento prévio. A brincadeira de infância, o aprendizado do dia-a-dia, o respeito ao próximo e os bons costumes, podem caminhar juntos com os novos conteúdos e com a exploração das áreas desconhecidas.

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