sexta-feira, 9 de maio de 2014

VICÊNCIA: ESSA CIDADE NUNCA, NÃO, JAMAIS FOI, É, ESTEVE ASSIM.

DESCONFIANÇA E MEDO DOMINAM MORADORES DA EX-PRINCESA DO VALE DO SIRIJI

(Editorial)


Não gostaria de ser melodramático, nem causar pânico aos moradores de Vicência. No entanto vejo-me na obrigação de defender aquela que me criou desde o terceiro dia de vida (nasci em Nazaré da Mata, mas como dizem: mãe é a que cria).

Na ante-véspera do Dia Das Mães sinto a necessidade de abraçar, acariciar e festejar minha cidade. Quero dar-lhe um presente! Um presente que sirva para adorná-la, reverenciá-la e torná-la mais bela e atraente. Para que outras pessoas cheguem e aconcheguem-se. Para que o forasteiro sinta-se em seu próprio lar. Para que o visitante se torne sedentário.

Ao andar nas ruas percebo que as pessoas estão se assemelhando às metrópoles: passos largos, olhares desconfiados, pressa, pressa, pressa. Se cruzam com um desconhecido não lhe dão as boas-vindas. Tratam-no com desdém e ojeriza. São capazes até de fugirem se for solicitada alguma informação. Carros e motos com placas de outras localidades merecem atenção especial. Não para o bem, mas para o mal.

Comerciantes contratam seguranças particulares armados. Cidadãos comuns se acastelam em seus redutos e as pontes da comunicação são substituídas pelos muros da separação. Medo. Pânico. Temor. Terror. Culpar quem? O Estado, com sua frágil estrutura no campo não só da segurança mas na educação e saúde? A sociedade, que se torna vítima mas ao mesmo tempo não denuncia? As leis, que acobertam menores e maiores que cometem grandes e pequenos delitos? Não se sabe. Ou ninguém é culpado ou todos têm sua parcela de culpabilidade.

Os Conselhos (?) precisam de conselhos. A cidade precisa voltar a ter o cheiro do interior. Da manga-rosa, do milho cozido, da charque na brasa e do suor do povo trabalhador. Vicência precisa ser manchete lá fora pelo fruto da terra, pela beleza dos canaviais, pelo eco-turismo, pelos engenhos e casarios coloniais. É preciso dizer que temos escritores, pintores, artistas, cantores, cantadores, homens e mulheres fluentes e influentes.

"O que será do futuro que hoje se faz? A natureza, o homem e os animais?" Quem são os animais? Os irracionais? Parece que não. No atual contexto a jaula não foi feita para o lobo, para a serpente ou para o leão. A jaula foi feita para o Bicho! Aquele que vem para "roubar, matar e destruir". Este sim é o inimigo do estado, da família e de si próprio.

"De repente eu me vejo numa nova cidade
Onde não há guardas e não há ladrão;
Onde todo empregado é amigo do patrão;
Onde qualquer ser vivente vive em paz com seu irmão.

Onde o leopardo passeia com a corsa
Onde ninguém força a natureza pra viver
Onde a andorinha voa com o gavião
Onde ainda o coração
É a fonte do saber." (Grupo Novo Alvorecer. O Sonho)


Samuel Cazumbá





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