quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

EU E GERALDO FREIRE


Não sei como nem quando conheci Geraldo Freire dos Santos. Só me lembro que ouvia muito a Rádio Clube de Pernambuco quando era criança e, com a saída do saudoso Paulo Marques, a emissora da Rua do Veiga teve uma grande dificuldade em conseguir substituto. E olhe que Paulo Marques saiu da Clube para a Rádio Jornal do Commercio. Depois de vários locutores eis que de repente as manhãs da emissora são ocupadas pelo pesqueirense de Mimoso.

Aos poucos ele mesmo (o Geraldo) ia contando a sua história. Desde a infância no agreste até sua chegada na capital. Lembro-me, inclusive, de uma vez ele ter falado da dificuldade em pronunciar a palavra fósforo: “Lá em Mimoso, a gente falava ‘fosco’”, admitia sem nenhum escrúpulo. Por sinal, escrúpulo, nunca foi o forte de Geraldo. O chulo torna-se engraçado na sua voz e até os mais céticos riem dos seus comentários.

Geraldo já foi Cidadão do Recife, mas sempre manteve a humildade como suporte para sua vida. E fez bem. Tornou-se a maior autoridade do Rádio pernambucano.
É amigão, ao seu lado vivemos grandes emoções. Tristes e alegres. Não acompanhei você como pista futebolístico, mas tive a honra de ouvir sua última transmissão à beira do gramado. Foi na decisão do Campeonato Pernambucano de 1983, quando o Santa Cruz venceu o Náutico nos pênaltis.

Juntos, fomos derrotados por Paulo Rossi em 1982; acompanhamos o nascimento do primeiro bebê de proveta no Brasil; esperamos o Cometa Halley, que não apareceu; assistimos à Guerra das Malvinas; fomos testemunhas da queda do Muro de Berlim; presenciamos a volta da verdadeira Democracia com a campanha das Diretas Já, a eleição de Tancredo Neves, seu calvário, sua morte e a posse de Sarney.

Sofremos com uma inflação de 80% ao mês. Finalmente fomos tetra-campeões do mundo em 1994. Viramos o século. Acompanhamos ao vivo a queda das Torres Gêmeas; a morte de Saddam; a eleição do “Sapo Barbudo” e a posse do primeiro negro como presidente dos EUA.

Quantos se foram... Ricos, pobres, famosos, anônimos... E o Rádio? Da válvula à digitalização. Das Ondas Curtas à Internet.

E Pernambuco volta a falar para o mundo.

Na Rádio Jornal. Com Geraldo Freire, O Comunicador da Maioria.    

P.S. “Ei macho, eu só tenho 43 anos e sou matuto de Vicência, feito tu é de Mimoso. E nem te conheço pessoalmente.”

Samuel Cazumbá - Vicência - PE

0 comentários:

Postar um comentário

LEIA AGORA NO VICENCIANET.
Todo mundo gosta. Todo o mundo acessa.